Biografia
   
Claude Monet
Pintor francês
14-11-1840, Paris
5-12-1926, Giverny (próximo de Paris)

Do Klick Educação

A tela de Monet Impressão, Sol Nascente (1872), qualificada com certa ironia na exposição coletiva de 1874 como impressionista, deu nome a todo um movimento artístico. O jovem Monet começara como caricaturista; foi o pintor Eugène Boudin quem o aconselhou a se dedicar à pintura. Assim se iniciou o seu fascínio pelos efeitos da luz e da cor, que haveria de tomar toda a sua vida. A obra de pintores como Auguste Renoir ou Alfred Sisley exerceria influência determinante em Monet, depois que, finalizados os estudos, ele se instalou em Paris. A sua primeira série, intitulada Station de St. Lazaire, foi completada entre 1876 e 1878. Nela, Monet pintou o mesmo motivo em diferentes horas do dia, reproduzindo a incidência da luz. Ele investigava, desse modo, as diferentes influências que a luz pode exercer sobre a percepção da realidade. Seguiram-se diferentes séries, como a dos Moinhos, a da Catedral de Ruão ou a dos Nenúfares. A série final do pintor, ameaçado pela cegueira, situa-se entre 1916 e 1926. Trata-se de paisagens de grande formato que reproduzem a incidência da luz sobre a superfície de um lago e que se situam além do impressionismo em seu sentido estrito.

   Fonte: UOL - Lição de Casa 


 Biografia
   
Gustav Klimt
Pintor austríaco
14-7-1862, Baumgarten, Viena
6-2-1918, Viena

Do Klick Educação

Klimt é o principal representante austríaco do "Jugendstil", ou modernismo, e precursor da escola vienense do realismo fantástico. Participou da fundação do movimento "Secessão", em Viena, que queria renovar a arte. Depois de se formar na Escola de Artes Decorativas de Viena, recebeu uma série de encomendas interessantes, como pintar o teto do Museu de História da Arte da Corte da cidade. Seus quadros ornamentais, repletos de motivos dourados, linhas curvas e composições de grande conteúdo simbólico, foram alvo tanto de elogios como de críticas. Seu estilo, de uma sensibilidade refinada (O Beijo, A Donzela, Adão e Eva), foi considerado escabroso e obsceno por seus contemporâneos. Os quadros A Filosofia, A Medicina e A Jurisprudência, encomendados para decorar as faculdades da Universidade de Viena, também deram origem a escândalo. Klimt foi professor e protetor do pintor Oskar Kokoschka e de Egon Schiele.
Fonte: Uol - lição de casa

PARIS

 

Chic demais
Alta-costura, perfumaria, luxo e extravagância. Não há cidade com tantos valores supérfluos quanto Paris. Talvez por isso ela seja tão essencial

É sabido que os parisienses adoram cachorros. Podem-se vê-los por toda parte. Nas ruas, nos táxis, nas lojas; inclusive nos melhores restaurantes, sempre educados, aboletados debaixo da mesa. Muitos desses restaurantes exigem trajes apropriados para os donos dos cães. Já eles, podem vir como quiserem. Há, porém, quem queira acabar com essa distorção. Para esses existe a Dog Generation, uma loja para cães chiques que freqüentam lugares chiques. Nela, pode-se adquirir um traje de chinchila para cães por 280 euros. E uma coleira que se parece com as jóias expostas na Place Vendôme. Pode-se, também, comprar, por preço justo, um frasco de perfume canino. Há vários aromas disponíveis. E o cãozinho fica um luxo.

Segundo o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa luxo significa magnificência, esplendor ou superfluidade. É esse o caso de Paris. Muitas cabeças rolaram na guilhotina da Revolução Francesa para estabelecer uma nova ordem no mundo ocidental, mas Paris continua se embriagando do fausto das decapitadas monarquias - e seu povo aceita, de bom grado, brioches em vez de pão.
O essencial, nessa cidade única, é justamente a exuberância de supérfluos que oferece. O que atrai gente famosa e poderosa. E, por conseqüência, todos os que neles se inspiram.
Veja o que ocorreu no início deste ano, por exemplo. Recém-saído da posse de seu sucessor, o presidente Fernando Henrique chegou para uma temporada de dois meses na exclusiva Avenue Foch. Uma semana depois, foi a vez de Chico Buarque desembarcar com discrição e aninhar-se no apartamento que possui no bairro do Marais. Paulo Maluf veio um pouco antes. Ficou, como sempre, no Plaza Athenée, um dos seis palácios da hospedagem parisiense, endereço onde é saudado com familiariedade pelos porteiros.

Caviar e trufas

Os três ilustres brasileiros já não vão mais a lugares que todos conhecemos, como a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, o Museu do Louvre e tantos outros nomes mágicos que fazem de Paris a cidade mais visitada do mundo. Mesmo assim, sempre que podem, eles voltam à capital da França. E quais seriam suas razões?
Bem, é provável que cada um deles tenha as próprias preferências. FHC, por exemplo, deve freqüentar, sobretudo, os cafés e as livra-
rias do Quartier Latin, nas vizinhanças da universidade em que lecionou antes de presidir o Brasil. Mas pode-se supor que, como bom gourmet, vá à Place de la Madeleine, onde ficam, frente a frente, duas das mais variadas e bem fornidas mercearias do mundo: a Hediard e a Fauchon. Uma loja que só vende trufas (a Maison des Trouffes) e outra que só comercializa caviar (a Caviar Kaspia) dão acabamento ao requinte do logradouro.

Colunas de aroma

Chico Buarque, possivelmente, busca apenas um pouco de anonimato na capital do humanismo, das grandes idéias e pensadores. Mas como é um cara descolado, talvez visite a Rue de Grenelle, à margem esquerda do Sena, cujas pequenas portas escondem jóias da sofisticação. Numa delas funciona a butique do editor de perfumes Fédéric Malle (veja quadro). A loja não tem prateleiras cheias de frascos sofisticados: possui apenas oito "colunas de aromas". Você põe o nariz numa fresta de qualquer dos cilindros transparentes e sente a fragrância desenvolvida por alguns dos melhores criadores de perfumes da França. Quando encontrar a que lhe agrada, basta pedir. Pronto: você receberá um perfume autoral, exclusivo, que não é encontrado em nenhuma outra casa do ramo.Quase ao lado dessa butique, fica a loja de sapatos de Christian Louboutin, cuja marca registrada é o solado vermelho. Seria uma loja qualquer, não fosse o fato de que nela caminham alguns dos pés mais delicados do mundo, como os de Caroline de Mônaco, Julia Roberts e Catherine Deneuve. Louboutin faz calçados de tiragem limitada, para astros, desfiles de moda e quem mais puder pagar, por exemplo, 3800 euros numa botinha de crocodilo. Chico Buarque pode, mas certamente não o faria, porque é um sujeito correto e jamais desrespeitaria os pobres répteis.

Já Paulo Maluf deve aproveitar suas jornadas parisienses para renovar o guarda-roupa, visitar amigos igualmente endinheirados e jantar do bom e do melhor. O perfil do ex-governador de São Paulo combina melhor com o chamdo "Triângulo Dourado", que é como é conhecida a região compreendida entre as avenidas Champs Elysées, Montaigne e George V. Nessa área ficam, hoje, todas as principais grifes de Paris. Muitas delas migraram do tradicional Feaubourg St. Honoré em busca da vizinhança de seus pares. O Plaza Athenée que, segundo a Leading Hotels of the World, é o preferido pela elite brasileira, fica num dos catetos do triângulo. Em seu interior funcionam dois famosos restaurantes. O mais antigo é o Relais du Plaza, um salão art déco freqüentado, ao longo do tempo, por mitos como Rodolfo Valentino, Josephine Baker e Ingrid Bergman. Marlene Dietrich, que chegou a morar no hotel, era habituée. Consta que, mais tarde, ela comprou um apartamento bem em frente, na Avenue Montaigne, só para não ficar longe dos ovos à Benedictine do Relais. O outro templo da gastronomia do Plaza é o ADAP, o três-estrelas de Alain Ducasse, experiência obrigatória no currículo de qualquer família chique que se preze.

         Fonte desta matéria: Revista Próxima Viagem

MINAS

Gente, voltei!!!!!!!!!!!! eu voltei!!!!

    Quanta saudade eu estava de vir aqui e escrever algo pra vcs. Depois de uma avlanche de trabalhos e provas, estou de volta, e com coisas novas.

     Mas vamos ao que interessa, abaixo, coloco alguns lugares ótimos pra quem for viajar nas férias, que afinal, não está tãaaaao longe assim ou até mesmo pra quem só for passar o final de semana.

 

Tratamento real na estrada real
Você quer fazer uma viagem com muita história, cultura, gastronomia e, ainda por cima, ser bem tratado? Então vá à Europa. Ou venha para Minas. O caminho por onde fluiram ouro e diamantes ficou marcado de lembranças e costumes que você precisa conhecer. É só seguir nossa proposta de roteiro

Reis, nunca tivemos. Os que aqui reinaram um dia foram monarcas de além-mar em seu nobre direito de explorar o que conquistaram. Árdua tarefa numa terra que, em princípio, nada tinha a oferecer senão o pouco rentável pau-brasil e a mão-de-obra de índios indolentes. Mas eis que se descobriu o ouro, nem tanto mas ouro, e os diamantes, finitos, mas diamantes - e por isso surgiu um caminho entre as minas e o mar, por onde se esgotaram os veios e as jazidas, trafegaram tropeiros, prosperaram contrabandistas e se interiorizaram escravos. Foram duas trilhas, uma delas começando em Paraty, a outra no Rio, e ambas se teriam perdido no tempo se, pelo caminho, não tivessem largado gente disposta a sobreviver além da capacidade das minas que um dia minguaram.
Pois o tempo passou, do ouro surgiu o minério de ferro, dos ermos brotaram vilas e das trilhas fez-se a Estrada Real.
É só um nome, é verdade, não há reis que a tenham percorrido de fato e o único monarca a explorá-la foi um imperador, segundo e último dos Pedros na curta história monárquica brasileira. Mas esse simples nome já levantou a galera da Mangueira no último Carnaval, virou sinônimo de futuro para o turismo em Minas Gerais e sintetiza as riquezas do caminho esquecido, que vão muito além do ouro encerrado e dos diamantes desaparecidos.
Se você acompanhou a verde-rosa na avenida, sentiu um pouco do que é a Estrada Real. Lá estavam, na forma de adornos, adereços ou alegorias as virtudes do novo caminho dos viajantes do Brasil. As cidades-históricas, a maria-fumaça que liga São João del Rey a Tiradentes, a cachaça, os queijos, as pedras preciosas, as esculturas de Aleijadinho e o rico artesanato da região.

Mais que um rei, uma dinastia
Ao som do samba que dizia "Teu chão é um retrato da história / e o tempo não pode apagar/ hoje descubro a beleza/ que faz a riqueza voltar", os espectadores mais atentos viram uma espécie de trailer do que provarão de fato quando decidirem (que tal agora?) fazer a viagem pela Estrada Real.
Não se trata, contudo, de um único caminho, mas de um roteiro completo, que inclui 177 municípios em três Estados, tem 1400 quilômetros de extensão e tantas vertentes e variantes que um único rei não o faria inteiramente - provavelmente seria necessária uma dinastia inteira.
E a grande sacada dessa idéia - sobretudo mineira, porque 162 municípios do trajeto ficam no que os cronistas esportivas gostam de chamar de Terra das Alterosas - é que ela une, através de um longínquo elo histórico, temas e interesses distintos num único produto turístico. Ou seja: você pode percorrer o trecho dos queijos, ou o trecho dos Inconfidentes, ou o trecho da cachaça e estará sempre na mesma estrada. Ou pode misturar vários deles, conforme sua receita pessoal e o resultado será sempre excelente.
O caminho oficial vai de Diamantina - de Xica da Silva e Juscelino Kubitschek - até Ouro Preto - de Tiradentes - e dali se subdivide em dois trechos que, em épocas distintas, serviram para o escoamento dos tesouros das Gerais. O mais velho deles passa por São João del Rey e por Tiradentes, avança pelo território esotérico de São Tomé das Letras, invade as águas puras de Caxambu e São Lourenço, transpõe o Vale do Paraíba por Guaratinguetá e Cunha e vai despencar no Porto de Paraty. Por essa estrada andaram milhares de tropeiros carregados de ouro, assediados por bandoleiros e por fiscais do império que cobravam o quinto.
O chamado caminho novo desce por Barbacena, Juiz de Fora, Itaipava e Petrópolis, encerrando-se no Rio e foi adotado para diminuir os riscos da jornada, sobretudo o dos corsários que viviam com o punhal na boca na travessia marítima entre Paraty e a antiga capital imperial.
Pois esse é o desenho da nova Estrada Real que, segundo seu idealizador, Eberhard Aichinger, atual presidente da sociedade sem fins lucrativos que trata de implantá-lo e promovê-lo "tem mais atrações e maior potencial que o próprio Caminho de Compostela".
Paulo Coelho há de discordar, mas Aichinger tem milhares de aliados entusiastas entre os proprietários de estabelecimentos turísticos do trajeto que estão sendo beneficiados pela iniciativa, tendo acesso, inclusive, a uma linha especial de crédito a juros irrisórios para ampliar ou aprimorar os negócios, desde que eles sejam considerados de interesse pelo Instituto Estrada Real.
A questão dos juros, aliás - e lembre-se de que estamos falando sobretudo de Minas -, tirou o chamado pé-atrás dos interessados e, se ainda restavam desconfiados, o fato de a iniciativa não pertencer a nenhum governo e estar, portanto, livre de apadrinhamento político, botou o povo todo de verde-e-rosa em fevereiro, na torcida da mais popular das escolas de samba do Rio.
Que, como se sabe, não ganhou por décimos de milésimos, mas nem por isso atravessou o samba.
O leitor de PRÓXIMA VIAGEM sabe que nossas sugestões de viagem prescindem de longos prólogos como o que você acabou de ler, se chegou até aqui. Mas era preciso mencionar o entusiasmo que envolve a idéia para que você soubesse que, de fato, se vier à Estrada Real, será tratado como um rei.
Não como dom Pedro II, que, embora sempre merecesse pompa e reverência, tinha de enfrentar caminhos penosos, hospedarias sem conforto e demais inconvenientes de um país ainda muito mais pobre no século 19. Hoje as condições estão muito melhores. O rotundo soberano, por exemplo, não podia provar os pães de queijo com lingüiça que agora enchem de água a boca dos viajantes em qualquer bom restaurante de estrada da região; não podia, também - e continuamos no tema gastronomia, visto que nosso último imperador era famoso glutão - degustar os rocamboles de Lagoa Dourada, a cidade em que os habitantes passam o dia inteiro, literalmente, enrolando: massa com goiabada, com doce de leite, com chocolate.

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Legítimo, genuíno ou original
Pois comecemos o roteiro por essa curiosa cidade, autodenominada "capital mundial do rocambole", que fica na BR-383, no caminho natural entre Belo Horizonte e São João del Rey. Duas décadas depois do dia em que nosso monarca foi apeado do trono, um certo Miguel Youssef e a esposa, dona Dolores, decidiram fazer rocamboles para incrementar seu negócio. Deu certo. Tanto que hoje, em Lagoa Dourada, cada pequeno estabelecimento vende o produto. A concorrência anda brava: você pode escolher entre o "legítimo", o "genuíno", o "autêntico", "o verdadeiro", mas nem vale a pena a discussão porque todos são deliciosos.
Ao seguir essa proposta de viagem, que, a bem da verdade, coincide, em parte, com o tradicional roteiro outrora chamado "Cidades Históricas", você descobrirá que a grande virtude do projeto Estrada Real foi incluir no programa lugares e atrações que, antes dela, estavam esquecidos. É o caso de Resende Costa, a próxima parada, que fica alguns quilômetros afastada da BR e, por isso, permanecia desconhecida pelos viajantes menos exploradores. A cidadezinha, pacata e encantadora como tantas outras nas Gerais, guarda tesouros de artesanato, sobretudo produtos de tear. Ali são produzidos de pequenos panos de roca a colchas e tapetes, à venda em quase todas as portas. Para quem gosta de comprar, um tesouro irresistível: lindas peças feitas a mão vendidas a preços inferiores a de equivalentes industrializados nas lojas econômicas das grandes capitais; no meio delas, achados do passado mineiro, utensílios antigos, móveis dos tempos idos - prepare espaço no porta-malas porque coisas assim não se encontram mais.
A viagem segue em ritmo de passeio: poucos quilômetros adiante, outro desvio para Coronel Xavier Chaves, que valeria a pena se tivesse apenas o Engenho Boa Vista, onde se produz a cachaça mais antiga do Brasil, a Século XVIII, que você pode degustar acompanhada de quitutes mineiros como torresmos e corações de frango feitos na hora à guiza de tira-gosto (veja quadro na pág. 36). O proprietário do engenho, Rubens Chaves, descendente direto de Tiradentes na oitava geração, é, também, o dono do antigo solar da família conhecido simplesmente como Sobrado, onde vive e aluga apartamentos no sistema bed & breakfast. Minuciosamente cuidado pela esposa, dona Cida Chaves, o Sobrado é sua chance de viver o autêntico cotidiano mineiro, entre fogões a lenha, retratos de antepassados e pérolas do mobiliário colonial - e cortar a ressaca a bordo de uma olha, tradicional sopa gorda preparada pela anfitriã.


O silêncio e os campanários
E as atrações não param. Pouco mais de 20 quilômetros adiante, você já estará na histórica São João del Rey, que teve a fama ofuscada pelo brilho iridiscente da vizinha Tiradentes, mas é encantadora como as cidades da Beira, em Portugal. Reduto dos Neves - ali nasceram e estão enterrados o presidente Tancredo e a esposa, Risoleta. Dali é também o governador Aécio Neves - espalha-se pelas margens do Córrego do Lenheiro, em logradouros antigos como o Largo do Rosário, a Ponte da Cadeia e a Rua Santo Antonio, das fachadas inclinadas. A cidade é tão visivelmente católica que inspira silêncio, freqüentemente cortado pelo chamado dos campanários. A mais valiosa das igrejas é a de São Francisco de Assis, cujo frontispício foi projetado por Aleijadinho e que guarda, no pequeno cemitério anexo, os restos do presidente que não chegou a tomar posse. Mas, ainda que você seja um ateu, é recomendável visitar, uma a uma, as igrejas de Nossa Senhora do Carmo, do Rosário, das Mercês e a Catedral de Nossa Senhora do Pilar, sobretudo quando houver missa. Os horários de abertura das igrejas são irregulares e dependem da boa-vontade dos párocos, portanto aproveite a espera para visitar as lojas de estanho da cidade, a única na América Latina que manufatura o metal, em dez fábricas diferentes.

BE BACK

 

    Cenógrafos do Projac
Uma linda maria-fumaça (a mesma que você viu reproduzida no principal carro alegórico da Mangueira) e 14 quilômetros separam São João del Rey e Tiradentes. Bom: Tiradentes é o lugar do momento, uma vila colonial tão bem cuidada que parece ter sido criada pelos cenógrafos do Projac. Um presépio de hotéis de charme, ótimos restaurantes, lojas irresistíveis (com preços, infelizmente, já globalizados). Se você já esteve aqui, sabe do que estou falando; se não esteve, está mais que na hora de repensar seus destinos.
A essa altura da viagem você já terá elegido suas preferências gastronômicas: um leitão à pururuca crocante, um frango ora-pro-nóbis (feito com a planta homônima, típica de Minas), uma galinha ao molho pardo, gordas feijoadas, doce e leite, goiabada e inúmeras variações contemporâneas desenvolvidas, sobretudo, pelos restaurateurs de Tiradentes, como Carlos Eduardo de Castro, do Theatro da Villa, a suave Zenilca, do Tragaluz, ou a atenta Beth Beltrão, do Viradas do Largo. Meta-se em trilhas e cavalgadas, se o remorso bater - a Estrada é cheia de programas na natureza -, ou siga pela estrada de terra que serpenteia ao lado da linda Serra de São José rumo à Comunidade do Bichinho. Sem asfalto, com a eventual companhia de carros de boi, nesse trecho você estará muito mais próximo do clima dos anos em que o ouro refulgia nas batéias. O vilarejo, Distrito de Prados, tornou-se um reduto de artesãos desde a implantação, em 1989, da hoje internacionalmente conhecida Oficina de Agosto. Desça do carro e vá entrando nos ateliês. Tem o Berzé pintando, o Marcello Maia esculpindo gordinhas em cabaças e papel machê, dona Carmem produzindo bordados, Marinho tirando esculturas da madeira bruta. E tem muito mais gente fazendo arte em qualquer portinhola, é só entrar, mas não vá esperando por pechinchas porque os comerciantes de Tiradentes, principais clientes do Bichinho, já impuseram os preços que praticam nas lojas, sob pena de suspenderem as encomendas.

Pérolas no caminho
A estrada segue até Prados, que tem um pequeno centro histórico colonial, mas ficou conhecida pelos gigantescos animais de madeira esculpidos pela família Julião, no Bairro do Caraça. Vale a pena vê-los trabalhando, assim como vale a pena conhecer os artesãos da Selaria do Zé Franco, há mais de 100 anos enfeitando e equipando cavalos e jumentos de toda a região.
A partir de Prados, começa a segunda parte do roteiro. Retorne pela BR-040 (não deixe de comer o pão de queijo com lingüiça no Café com Prosa, à beira da estrada em Entre Rios) até Congonhas. Os doze profetas de Aleijadinho e as 64 imagens de cedro talhadas pelo famoso escultor e pintadas por Mestre Athayde nas capelas anexas são os únicos e indispensáveis motivos para você visitar a cidade. Os turistas europeus, que circulam pelo complexo como se estivessem em casa, sabem que não é qualquer obra que merece ser tombada como Patrimônio da Humanidade.

Nas entranhas da terra
O próximo destino é Ouro Preto, mas siga as pistas da Estrada Real e escolha a sinuosa estrada que sai de Ouro Branco. A desolação das montanhas laceradas pelas empresas de mineração é logo substituída por uma serra espetacular, com vistas para o Pico do Itacolomy, cachoeiras e pontes usadas no tempo dos tropeiros. Dez quilômetros antes da antiga Vila Rica, saia à direita e conheça Lavras Novas. A mais de 1000 metros de altura, Lavras Novas é um reduto de pousadas charmosas (veja na Agenda de Viagem), trilhas, mirantes e esoterismo. Uma ótima opção para se hospedar ao lado de Ouro Preto com o bucolismo de antanho. Porque, é claro, antanhos não faltam na principal capital do ciclo do ouro, mas o bucolismo deu lugar a um mundo de repúblicas de estudantes e a multidões de turistas na pista de Aleijadinho, de Tiradentes e de uma certa Marília de Dirceu.
Além do circuito das igrejas, que inclui os 430 quilos de ouro laminado no altar da Matriz de Nossa Senhora do Pilar - o templo mais rico de Minas Gerais - , Ouro Preto é um reduto de bons hotéis, boa comida e lembranças do Brasil colonial onde, mais uma vez, você será tratado como um rei. Você estará bem perto da impressionante Mina da Passagem onde, a 120 metros de profundidade, conduzido por um funicular, terá a oportunidade de ver as entranhas da terra que produziu ouro para o bem de Portugal. E, logo adiante, será a vez de observar o belo conjunto arquitetônico de Mariana, a mais antiga cidade de Minas. A viagem é, de fato, real. E para você não perder a majestade até o final, tente visitar a Catedral da Sé numa sexta-feira, às 11 horas, ou num domingo, ao meio-dia. É que nessas ocasiões ouve-se o som penetrante do raríssimo órgão de 1039 tubos, construído em 1701 na Alemanha. Os concertos são breves mas inesquecíveis. Mais um privilégio de soberanos da Estrada Real.

Com a arte no sangue

Supõe-se que a vocação para gerar bons artesãos é atávica na Estrada Real e vem dos tempos em que a riqueza das minas pagava artistas para ornamentar igrejas e casas senhoriais. Em quase todas as cidades que fazem parte do roteiro apresentado nesta reportagem, há trabalhos manuais à venda
e quase sempre nem é preciso procurar muito para encontrar peças de bom gosto e qualidade. O florescimento do turismo também despertou vocações adormecidas e muita
gente se pôs a trabalhar com madeira, couro, bordados para atender à demanda das lojinhas de Tiradentes, sobretudo na Comunidade do Bichinho (veja na Agenda de Viagem). Nessa área, são raras as peças industrializadas, mas os produtos artesanais ficam mais caros ano após ano. Já em Ouro Preto, os trabalhos de pedra-sabão feitos, de fato, a mão, são raros.


Matéria Publicada na edição nº 55. Maio/2004.

                                 

 

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