Fala, galera!!!!

 

Demorei mas estou de volta! como vcs sabem, tempo ultimamente é coisa de luxo!!! então,como alguns tbm já sabem, tenho um outro blog e preciso atualizá-lo, queria pedir aos visitantes deste cantinho, que visitem meu outro cantinho, que tá ficando lindo!!! vale a pena dar uma passadinha lá,ok? vou colocar um texto que achei muito lindo e sem dúvida,algumas pessoas já devem ter passado por isso.

Aconteceu uma noite no Brasil

Uma viagem de um mês ao norte do Amazonas,no Brasil, era tudo de que eu precisava para me recuperar de uma desilusão amorosa. Eu achava que uma pausa na universidade em que lecionava refrescaria minha cabeça e  me permitiria ver que havia mais opções do que desisitir de tudo e voltar para casa. Peguei um ônibus para o norte por dois dias e depois consegui uma vaga para rede no primeiro barco de carga que subia o rio. Eu não sabia aonde estava indo ou quando chegaria. Parecia o lugar perfeito para sentar, beber e escrever cartas angustiadas. E então eu conheci Ana.

Tínhamos parado num pequeno ancoradouro na margem do rio para descarrregar suprimentos básicos, como leite em pó, um eixo de manivela, quatro dúzias de caixas de contraceptivos, quando Ana, o filho e a avó vieram berrando pelo cais. Seus gritos fizeram o bando de papagaios que tinha pousado na proa levantar um vôo ruidoso em espiral.

Seguiu-se uma exaltada discussão entre Ana e o capitão, cujo ponto crucial era que Ana precisava desesperadamente levar o filho rio acima para tratamento médico. Por fim, depois de muita aflição e súplica, o capitão consentiu e os ajudou a subir a bordo.

Sentado comos pés tocando a água morna cor de chocolate, eu assistiria ao drama humano que acabara de se desenrolar, e achei natural estender a mão para ajudar Ana a subir no barco. O que não me pareceu natural foi o arrepio que senti quando segurei a mão dela, nem o clarão de fogo que vi em seus olhos escuros quando ela sorriu pra mim. Pensei que ia me afogar em seus olhos, e provavelmente isso teria acontecido se o capitão não tivesse escolhido aquele exato momento para bater em minhas costas e me oferecer uma cerveja.

Mais tarde,quando Ana tinha esticado sua rede ao lado da minha e seu filho estava acomodado na casa do leme, nós nos sentamos e ficamos nos embalando à brisa suave, alheios aos olhares que os demais passageiros nos dirigiam. Ela era alguns anos mais jovem do que eu, mas tivera uma vida atribulada. Ficara viúva pouco depois do nascimento do filho, que agora estava levando para o tratamento urgente de uma ulceração na perna. Ana tinha esperança de que o médico pudesse fazer algo milagroso, mas nós dois sabíamos que o prognóstico não ers dos mais otimistas.

Deixamos a conversa acabar naturalmente até que, à luz que se extinguia, ficamos perdidos em nossos pensamentos e no movimento do barco. cada vez que Ana olhava para mim, eu sentia os pêlos de trás do pescoço se arrepiarem e o estômago se revirar.O filho dela entrou em minha rede e adormeceu enquanto Ana escovava seus cabelos longos e sedosos.

Após o jantar de arroz e feijão, nós nos deitamos em nossas redes e falamos sobre os diferentes mundos de que vínhamos. Eu falei a Ana sobre Londres, os invernos frios, meu apartamento que congelava de novembro a março e minhas viagens diárias de trem para o trabalho. Ela, por sua vez, contou histórias de seu pequeno povoado, falou sobre sua casa de apenas um cômodo,e como, quando garota, nadava no Rio Amazonas. Eu fechava os olhos e me encantava com o ritmo de sua voz e a franqueza de suas palavras. Para as pessoas no barco, devia ser evidente que eu estava enfeitiçado.

Mais tarde naquela noite, quando o restante do barco dormia, Ana foi se lavar. Quando voltou para a rede pouco tempo depois, o cabelo estava cuidadosamente penteado, e um suave perfume da primavera na Inglaterra me envolveu. seu cheiro, suas curvas e seus olhos brilhantes faziam minha pele vibrar. Eu estava realmente apaixonado. No escuro, ela inclinou o coprpo e se aproximou de mim, até nossos lábios ficarem a apenas um fio de cabelo de distância. e pensei: Se nos beijarmos agora, eu nunca mais deixarei este rio. Ficamos imóveis. mas, em vez de me beijar, ela acariciou meu rosto e disse: " Obrigada por fazer o curativo na perna do meu filho."

Aquela noite foi longa e tranqüila. Enquanto o menino dormia, Ana e eu, deitados inocentemente nas redes, compartilhamos nossos sonhos e temores mais profundos. Por fim, ela caiu no sono sobre meu peito e, quando o sol finalmente surgiu, eu me senti renascido e purificado.

Continuamos nos dias seguintes subindo tranqüilamente o rio. Eu traduzia Crime e castigo para o português, e Ana me ensinou uma canção de maor brasileira. Todas as noites, o filho dela se enroscava ao meu lado na rede e me pedia que lhe contasse sobre Londres e minha vida por lá. Quando finalemnte adormecia, Ana ficava em sue lugar e conversávamos até o amanhecer. nunca cogitamos consumar o relacionamento; era intenso demais para isso.

Três dias - e uma vida inteira - depois de conhecer Ana, o barco entrava ruidosamente no pequeno cais de seu destino final. Quando todos os outros tinham se dispersado e os últimos estivadores se haviam retirado para o bar mais próximo, Ana e eu ficamos sozinhos na penumbra do fim da tarde. Ana pegou minhas mãos e disse que sabia que pertencíamos a mundos diferentes, mas perguntou se eu poderia esperar uma semana por ela.Nós poderíamos fazer a viagem de volta, descendo o rio, e começar vida nova em sua pequena casa de um cômodo.Quando pegou minha mão e a apertou timidamente, eu pensei: Sim, eu pertenço a este lugar junto a você. Mas no íntimo eu sabia que nunca poderia ficar. Vínhamos de mundos diferentes,nossas expectativas e medos eram diferentes, e eu tinha uma vida longe do rio.

Ana não olhou para trás nem uma vez enquanto caminhava pelo cais à procura de um táxi. E fiquei contente com isso, pois, do contrário, ela teria visto as lágrimas rolando pelo meu rosto, e então eu jamais teria saído do seu lado. meses depois, de volta a Londres, recebi um cartão-postal dela que dizia: "Seja feliz,seja livre....esteja nos meus sonhos para sempre."

Philip Blazdell morou e trabalhou no Brasil durante dois anos, e descreve esse período como um dos mais satisfatórios e preciosos de sua vida

 

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